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Os netos

Até agora, 140 casos de apropriação de crianças foram resolvidos pelas Abuelas e com o auxílio da CoNaDI e do BNDG

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Guillermo, Manuel, Tatiana e Claudia são exemplos de apropriados que reencontraram suas famílias após anos de busca – sejam dois ou 29 anos depois

Conhecer a verdade

Parte dos netos encontrados foi localizada pelas Abuelas, enquanto outros acabaram sendo identificados por iniciativa própria, ou seja, eram pessoas que tinham dúvidas sobre a própria origem e foram atrás da resposta para confirmar se eram filhos de desaparecidos da ditadura militar. Independentemente do início deste trajeto, o processo de busca pela identidade é quase sempre acompanhado por intensas sensações e receios. Um resultado negativo do BNDG significa muitas vezes uma porta fechada diante do difícil processo de ir atrás da sua origem. Já uma resposta positiva quanto à análise genética, embora traga a verdade, pode ser também doloroso para quem descobre não ter vínculos biológicos com a família com quem viveu durante toda a vida. 

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Há ainda quem seja contra a existência do Banco (e até das Abuelas) e argumente que as restituições geram novos traumas nas pessoas que já foram crianças traumatizadas. Mas, segundo a psicologia, não existe base para assegurar essa ideia, que surgiu a partir de uma comparação equivocada de uma renomada psicanalista francesa. 

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Ainda desaparecidos

Ter 132 netos restituídos significa que ainda há cerca de 370 casos por resolver. Quando as Abuelas se organizaram, elas entenderam que a luta teria de ser coletiva para dar frutos – a partir daí, o reencontro com cada neto passou a ser comemorado como se fosse com o próprio. 

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A busca incessante tem seus obstáculos, porém. Altos e baixos permeiam o processo que se estende por décadas até hoje. Mas os familiares de desaparecidos seguem firmes à procura das meninas e meninos apropriados durante a ditadura e que hoje devem ser adultos de 40 a 50 anos de idade.

 

 

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Próxima geração

O BNDG vislumbra também uma tecnologia capaz de identificar os bisnetos para acelerar a restituição dos netos. Localizando seus filhos, que são netos dos desaparecidos, automaticamente mais casos de apropriação seriam resolvidos. O método ainda está em vias de desenvolvimento e deve demorar um pouco, mas o papel dos bisnetos vai muito além da extração de amostras de sangue.

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Sem ter enfrentado o trauma da apropriação pessoalmente, os bisnetos podem apoiar seus pais na busca pela própria identidade e incentivar que eles procurem resolver as questões para as quais não têm as respostas.

Projeto de conclusão de curso de Beatriz Gatti para a obtenção do diploma de bacharelado

em jornalismo pela ECA-USP, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Rosana de Lima Soares.

© 2022 Buscarita

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