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- Buscarita | História do BNDG
Desde antes de sua criação, em 1987, confira os principais fatos sobre o Banco Nacional de Dados Genéticos Linha do tempo História do BNDG entre 1976 e 2015 Fonte: "Ciencia x la identidad - Historia viva del Banco Nacional de Datos Genéticos" Arte: Mathias Gatti
- Buscarita | Sobre o tema
Confira indicações de filmes e livros a respeito das apropriações durante a ditadura argentina, a resposta das Abuelas de Plaza de Mayo e a busca pela restituição de centenas de identidades Sobre o tema Livros, filmes e documentos para se aprofundar La historia de Abuelas Abuelas de Plaza de Mayo El padre en la apropiación de niños María Elena Domínguez Argentina 1985 (2022) Santiago Mitre 500 - Os Bebês Roubados pela Ditadura Argentina (2013) Alexandre Valenti Las Abuelas y la genética Abuelas de Plaza de Mayo Las viejas Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora A História Oficial (1985) Luis Puenzo 99,9% - La ciencia de las Abuelas (2012) Canal Encuentro Ciencia x la identidad Banco Nacional de Dados Genéticos La Convención sobre los Derechos del Niño en la Argentina Carla Villalta e Soledad Gesteira O Dia em que Eu Não Nasci (2011) Florian Cossen Pañuelos para la Historia (2015) Alejandro Haddad e Nicolás Valentini La biografía de Estela de Carlotto Javier Folco No nos han vencido Luis Zarranz La Casa de los Conejos (2021) Valeria Selinger Secreto a Voces (2018) Misael Bustos Confira a lista de referências utilizadas no projeto
- Buscarita | Abuelas de Plaza de Mayo
Quem são as Abuelas de Plaza de Mayo e como elas se organizaram para buscar os netos apropriados durante a ditadura militar Abuelas de Plaza de Mayo As avós argentinas que enfrentaram o regime militar para encontrar os netos apropriados pela ditadura Trajetória As Abuelas de Plaza de Mayo surgiram em outubro de 1977 após, em uma ronda das Madres de Plaza de Mayo, alguém se questionar sobre o paradeiro dos netos (pequenos ou recém-nascidos) que também estavam desaparecidos. Doze mulheres passaram a se organizar para “buscar aos netos sem esquecer dos filhos”, criando assim as Abuelas Argentinas con Nietitos Desaparecidos. Logo depois, adotariam o nome atribuído a elas pela mídia internacional: Abuelas de Plaza de Mayo. leia mais Buscas Delegacias, igrejas, hospitais e quartéis não davam nenhuma informação concreta sobre o paradeiro dos filhos e netos desaparecidos. Então, as Abuelas passaram a buscar por conta própria, assumindo o papel de detetives à procura das crianças que haviam sido sequestradas junto aos pais. Não passou muito tempo até elas começarem a rodar o mundo para chamar a atenção da comunidade internacional e também dos cientistas, a quem recorreram para desenvolver o grande trunfo de suas buscas: o Banco Nacional de Dados Genéticos. leia mais Legado A luta das Abuelas surgiu como um legado deixado por seus filhos desaparecidos. E seu trabalho incansável, por sua vez, é hoje uma herança à sociedade argentina, que vê a elas e a outros organismos de direitos humanos como referências para impedir que nunca mais se repitam as atrocidades do passado. leia mais Futuro Com poucas Abuelas ainda em atividade, a associação passa por um momento de transição geracional. Os netos restituídos e outros parentes de desaparecidos garantem a continuidade da instituição até que se resolva o último caso de neto desaparecido, com o auxílio do Banco Nacional de Datos Genéticos (BNDG) e dos bisnetos, que podem ser um combustível fundamental para o processo de busca de identidade de quem tem suspeitas sobre as próprias origens. leia mais
- Buscarita | Legado das Abuelas de Plaza de Mayo
A luta das Abuelas de Plaza de Mayo se solidificou na associação criada em outubro de 1977. Especialistas e personagens centrais das apropriações relatam como as avós argentinas marcaram suas próprias histórias e a de toda a sociedade Legado Como isso é possível? Se mataram os filhos destas senhoras, muitas delas enfrentaram situações horrorosas, há mais de 30 anos as estão despistando, com um Estado que virou as costas, com todos os problemas, com a incompreensão da sociedade, com acusações terríveis… E você vê que estão alegres… O que acontece é que esse objetivo [de buscar] é como uma missão herdada de seus filhos. É como se eles tivessem dito: 'deixo isso com você, procure e resolva'." Remo Carlotto é irmão de Laura Carlotto, sequestrada e assassinada pelos militares em 1977, e filho de Estela de Carlotto, presidente das Abuelas de Plaza de Mayo Uma herança de luta As Abuelas levaram muito a sério a tarefa de buscar seus netos. Divulgaram pelo mundo o que se passava na ditadura argentina, conquistaram boa parte da opinião pública, revolucionaram a genética e criaram um legado de luta com a qual muitas delas nem imaginavam se envolver um dia. Formadas por mães de militantes, algumas das quais até desaprovavam a atuação dos filhos, as Abuelas se viram diante de uma missão movida pelo amor e pela busca por justiça. Deram à luz como avós e resgataram a verdade de, até agora, 130 casos de crianças apropriadas, que puderam recuperar sua identidade. E ajudam a manter viva a memória de um processo atroz e violento ao entoar o coro de que “nunca mais” ele deve se repetir. O legado das Abuelas e de cada avó é observado de maneira muito particular em cada depoimento dado por cientistas, antropólogos, filhos de desaparecidos e netos recuperados, mas todos têm em comum a ideia de que a atuação delas atravessa invariavelmente a luta por memória, verdade e justiça. Reproduzir vídeo Reproduzir vídeo Lorena Battistiol Reproduzir vídeo Reproduzir vídeo Miguel Santucho Reproduzir vídeo Reproduzir vídeo Victor Penchaszadeh Reproduzir vídeo Reproduzir vídeo Carla Villalta Reproduzir vídeo Reproduzir vídeo Claudia Poblete Hlaczik
- Buscarita | Conhecer a verdade
O processo de descoberta da identidade é, na maioria das vezes, enfrentado com muitas dúvidas, hesitações e inseguranças. Mas encontrar-se com a verdade é o passo inicial para retomar o controle das próprias decisões Conhecer a verdade Em determinado momento, eu disse ao juiz: “Posso me recusar a fazer o teste?”. Ele respondeu que eu poderia, mas disse que só assim seria possível confirmar se eu era a prova de um delito. E eu, como suspeitava da minha verdadeira origem, vi uma oportunidade de buscar respostas. Ter a determinação do juiz também me libertava um pouco da responsabilidade de decidir fazer aquele teste, que poderia acabar incriminando meus apropriadores. Tomar essa decisão sozinha tendo um forte vínculo com quem me criou teria sido muito difícil. As restituições das crianças roubadas durante a ditadura foram muito importantes para provar que os centros de detenção clandestinos existiram, que de fato mulheres grávidas foram sequestradas pelos militares e tiveram seus bebês roubados e que parte do sistema judicial e alguns médicos atuaram como cúmplices, falsificando documentos. É um resultado que revela uma série de mentiras. Mas eu já estive nessa posição e sei que a primeira reação é dizer não, é negar aquela ideia absurda de que você não é filha ou filho de quem te criou por toda a vida. É muito forte pensar que o seu corpo pode ser a prova de um crime, sentir-se mais como uma coisa do que como uma pessoa. Os resultados que tivemos até agora, no entanto, têm mostrado que vale a pena, por mais difícil que pareça. O incômodo inicial da resposta positiva vai desaparecendo, porque, por mais que o resultado bagunce a sua vida, é uma bagunça baseada na verdade. Só assim é possível tomar decisões reais e suas. Eu estive 18 anos mantendo vínculos com meus apropriadores e ninguém me disse nada. Mas, sem saber a verdade, essa não era uma decisão minha, pois continuei por todo esse tempo no lugar em que me colocaram. Eu não cheguei aos 40 anos de idade com incertezas, mas ainda hoje há pessoas já com seus 45 anos, vendo seus filhos crescerem e sem saber sua verdadeira origem. Eu entendo que é difícil e que o que há do outro lado é uma história triste, mas é a sua. A liberdade só vem quando você descobre a verdade, por mais dura que ela seja. Nós temos o direito de saber quem somos, assim como os familiares dos desaparecidos têm o direito de saber o que aconteceu com seus filhos. E é dever do Estado investigar e resolver parte do dano causado por ele, porque muitas pessoas têm documentos públicos e oficiais com informações falsas. O que revitimiza apropriados não é o encontro com a verdade, mas a continuidade do processo violento em que ainda vivem cerca de 370 pessoas. Texto baseado nos depoimentos dos netos restituídos Claudia Poblete Hlaczik, Guillermo Amarilla Molfino, Manuel Gonçalves Granada e Tatiana Sfiligoy Direito à intimidade Tirar sangue para fazer análises genéticas traz uma discussão ética e legal que confronta dois direitos fundamentais: o direito à identidade e o direito à intimidade. “A justiça decidiu que o direito à resolução de um crime contra a humanidade é absoluto”, diz Florencia Gagliardi, cientista do Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG). Mas, sem desconsiderar o direito à intimidade, os juízes argentinos também garantem formas alternativas de extrair amostras de DNA para preservar a pessoa que é uma possível vítima de apropriação. Gagliardi detalha que, nos casos em que alguém se nega a tirar sangue para os testes genéticos, há ainda a opção de raspagem bucal – que apresenta alto conteúdo de DNA, bem como as amostras hemáticas. Se mesmo assim a coleta for negada pela pessoa, a justiça pode autorizar uma equipe especializada para ir até a casa dela e solicitar objetos pessoais onde possa haver DNA, como uma escova de dentes ou uma lâmina de barbear. Essas amostras contêm menos material genético, mas todas têm o perfil genético completo processado nos laboratórios do BNDG. Sem ter dimensão de como haviam sido os processos de apropriação na Argentina, Dolto comparou a situação com as crianças que perderam os pais durante a Segunda Guerra na França e foram acolhidas por outras famílias. “O raciocínio [de Dolto] foi que, se a apropriação era traumática por si só, porque incluía o violento processo de separar a criança da mãe, retirá-la da família apropriadora traria um segundo trauma”, explica Armando Kletnicki, psicanalista e chefe de trabalho da Cátedra de Psicologia, Ética e Direitos Humanos da Universidade de Buenos Aires (UBA). Rapidamente após a publicação do conteúdo da reunião, especialistas argentinos reagiram. “As Abuelas e muitos organismos de direitos humanos responderam que era justamente o contrário. Restituir a verdade não era um segundo trauma, mas uma tentativa de resolver o primeiro trauma, que é o da apropriação”, afirma Kletnicki. Eles argumentaram também que se tratava de situações incomparáveis, pois, apesar de em ambas as situações as crianças terem sofrido grandes traumas, no caso argentino elas foram ilegalmente adotadas, inscritas como filhas próprias de outras pessoas e privadas de sua origem, enquanto no caso francês as crianças órfãs pelo nazismo nunca tiveram sua identidade negada. Anos depois, Françoise Dolto reconheceu o equívoco e se retratou às presidentes das Abuelas, Estela de Carlotto e Chicha Mariani, em uma conversa. Mas não registrou as novas reflexões por escrito. “A ideia do segundo trauma ganhou muita relevância porque Dolto era uma psicanalista de renome, então foi escutada pelo mundo. Mas creio que a polêmica se sanou há muito tempo por ela própria, e não há base na psicologia para pensar que a restituição é algo traumático”, acrescenta o pesquisador da UBA. “A verdade é restauradora, não traumática.” A farsa do segundo trauma Em 1986, a renomada psicanalista francesa Françoise Dolto viajou a Buenos Aires para uma série de encontros. Em um deles, em que se reuniu com especialistas em adoções, exílios e desaparecimentos, Dolto dialogou com o escritor Marcelo Losada – que colaborava com as Abuelas de Plaza de Mayo – e defendeu que as crianças apropriadas permanecessem com as famílias que as haviam ‘adotado’. Dessa forma, segundo a psicanalista, evitaria-se um segundo trauma de separação. A psicanalista francesa Françoise Dolto PAILLE/FLICKR
- Buscarita | O plano dos militares
Como parte do Processo de Reorganização Nacional, o plano sistemático de roubo de crianças foi responsável pela apropriação de cerca de 500 crianças durante a ditadura militar argentina O plano dos militares Na Argentina, um golpe de Estado dado em 24 de março de 1976 colocou os militares no poder para pôr em prática o Processo de Reorganização Nacional, por meio do qual pretendiam combater a 'subversão' e o 'populismo'. Estima-se que em oito anos de ditadura militar (1976-1983), 30 mil pessoas tenham desaparecido. As Abuelas de Plaza de Mayo calculam cerca de 500 casos de crianças pequenas ou recém-nascidas que foram separadas de suas famílias e criadas por pessoas com as quais não tinham nenhum vínculo biológico. Era comum que mulheres grávidas mantidas em algum dos muitos centros de detenção e tortura tivessem seus filhos levados, logo após o parto, para a casa de algum militar ou de conhecidos de alguém que participava do esquema. Esse processo fez parte de um plano sistemático de roubo de crianças que foi definido pelas Abuelas como apropiación. Maternidades clandestinas LEIA MAIS LEIA MAIS As 'apropriações'
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